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domingo, 28 de outubro de 2007

Creative Commons

Recentemente estive pesquisando à respeito do Creative Commons e soluções alternativas para a questão dos direitos autorais. Com o grande impulso da internet e das mídias digitais, o compartilhamento e distribuição de arquivos tornou-se cada vez mais popular. Essas novas mídias, como se sabe, possibilitam a livre distribuição de músicas, filmes e outros conteúdos pela internet, sem a necessidade de se pagar por isso. Está aí então instalada a polêmica: como os artistas e produtores culturais receberiam por suas obras distribuídas na internet? A distribuição gratuita de mídia pela internet prejudica os autores e produtores? Downloads grátis e mídias pagas, baixadas ou não, podem conviver harmoniosamente?
Eu acredito que toda essa polêmica é, em sua maior parte, alimentada pelo choro de produtores reacionários e artistas desinformados, que não perceberam que o bonde da história nunca pára e ficaram para trás. Suas queixas são como as dos empresários e trabalhadores do ramo da navegação, na época em que as companhias aéreas tomaram seu lugar, e eles ficaram — não ficaram — a ver navios. As mídias digitais e o compartilhamento de arquivos são o futuro, e quando o futuro chega devemos aprender a lidar com ele, e não ignorá-lo sem ao menos uma reflexão mais madura. Digo isso porque hoje em dia no Brasil não vemos uma discussão sobre o assunto, muito pelo contrário; na grande mídia hoje só há espaço para a virulenta e grotesca campanha, promovida por essa mesma grande mídia, que só está interessada em estigmatizar os camelôs e seus clientes, as pessoas que baixam filmes que acabaram de sair no cinema, ou nem saíram ainda, enfim; é o mainstream fazendo o que sempre fez, enfiando goela abaixo no passivo e ignorante povo brasileiro suas concepções viciadas e tacanhas.
O importante é que fique bem claro que uma discussão se faz necessária, bem como uma atitude mais aberta e reflexiva da sociedade. Principalmente no chamado mainstream, que deveria expressar o que há de melhor na cultura do país, e hoje faz justamente o contrário. Eu sou dos que têm uma posição mais aberta e liberal com relação a esse tema, como já demonstrei neste texto. O Creative Commons também segue nessa mesma linha, e se apresenta como uma proposta muito madura e relevante para a questão dos direitos autorais hoje. Creative Commons significa, em tradução literal, "criação comum". Trata-se de um conjunto de licenças para distribuição de conteúdos que permite aos autores abdicar de alguns direitos em favor do público, facilitando a distribuição de suas obras. E ao contrário do que pode parecer a princípio, dá para o autor manter seus lucros abrindo mão de alguns direitos. Aliás, querendo ou não, muitos artistas fazem isso hoje, pois com o compartilhamento de arquivos muita coisa é distribuída gratuitamente e ainda assim eles continuam a viver de sua arte.
As mesmas pessoas que defendem e representam o Creative Commons também pensam novas formas de garantir que empresas e artistas recebam os lucros advindos dos direitos autorais e de distribuição. Um dos mais conhecidos representantes do Creative Commons no Brasil e no mundo é o advogado Ronaldo Lemos. Formado em Direito pela USP, e com mestrado em Harvard e doutorado novamente pela USP, ele é o autor do livro Direito, Tecnologia e Cultura, publicado pela editora da Fundação Getúlio Vargas, e disponibilizado para download gratuito por iniciativa própria neste link. Recomendo ainda a leitura do texto "O Creative Commons e os Direitos Autorais", também de autoria de Ronaldo Lemos.

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sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Gmail Manager - essencial!

O Gmail Manager é um dos plugins para o Firefox mais úteis que já conheci. Ele permite que você gerencie várias contas do Gmail no mesmo lugar, notifica-o quando recebe mensagens e mostra resumos delas. Há vários plugins para notificação de e-mails recebidos no Firefox, entretanto este possui uma função muito interessante, que não encontrei em outros, que é a possibilidade de abrir a página de composição de mensagens do Gmail ao clicar num link de e-mail. Para mim, que não sou muito chegado à programas de e-mail, como o Outlook e o Thunderbird, isso é muito prático. Dependendo de como você usa seu programa de e-mails, dá para dispensá-lo. Com isso você tem um programa a menos para lhe chamar a atenção e ainda economiza o espaço que seria ocupado em seu HD pelas mensagens baixadas.


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sábado, 7 de julho de 2007

A essência das coisas

Durante um bom tempo tudo que vou dizer aqui me pareceu bastante óbvio, mas fui percebendo ao longo dos anos que não é bem assim para a maioria das pessoas. Fala-se muito hoje em pirataria e direito autoral na distribuição de sons, vídeos, imagens e outros conteúdos imateriais. Querem nos convencer a todo custo que se você baixa uma música pela qual você não pagou você está sendo um pirata, ou melhor, um criminoso. E como há muita gente que faz isso, diz-se que esse hábito está fazendo as gravadoras e os artistas perderem receita.
Bom, quando eu não tinha internet e gravador de CD eu gravava os álbuns de meus amigos em fitas k7, e meus amigos faziam o mesmo. A gente também trocava ou pegava emprestado os games e revistas uns dos outros. E fazíamos isso porque gostávamos de compartilhar nossas coisas, nossos interesses. Era uma forma de socialização e divulgação de arte e cultura, que, afinal, existem para serem socializadas mesmo. Dessa maneira toda a sociedade ganha com a promoção do conhecimento.
Segundo essa lógica o momento atual é extremamente feliz. Com a Internet podemos compartilhar cultura com uma infinidade de pessoas de todas as partes do mundo. E através da chamada pirataria - que inclui, mas não se limita à Internet - é possível adquirir conteúdos antes impossíveis de se conseguir por não se ter dinheiro para pagar por ele. Contudo, a grande mídia (pelo menos aqui no Brasil) vem insistindo em convencer as pessoas de que isso é errado, porque para ter a música, o jogo, o DVD ou seja lá o que for é preciso pagar por ele (quando os distribuidores e proprietários dos direitos autorais assim exigem), e quando se adquire um produto pirata os produtores são prejudicados.
Será que essa é uma verdade absoluta, ou dependendo da situação a pirataria pode até ser uma forma eficiente de divulgar uma mídia (música, filme, software), popularizando-a e trazendo retorno financeiro aos proprietários da mesma? Seria o Playstation1 e o 2 os consoles de videogame mais populares do Brasil se não fosse a pirataria de jogos? Nas lojas os jogos de Playstation 2 custam até 250 Reais, isso quando há o jogo. É um preço muito acima do que é praticado nos países mais ricos do mundo, e mais acima ainda dos 10 reais que custa cada jogo no camelô. De qualquer forma, não dá para negar que a pirataria fez dos consoles playstation os mais vendidos do Brasil.
Por outro lado a indústria musical teve uma perda significativa de mercado no Brasil e no mundo nos últimos anos. Mas não acredito que a principal causa disso seja a pirataria e o compartilhamento de músicas pela internet, e este ponto de vista vem ganhando força ultimamente. Até porque o declínio do mercado musical começou antes até do surgimentos das redes de compartilhamento de arquivos e da fartura de mídias baratas para copiar e redistribuir conteúdo. Ele começou a cair, e está afundando cada vez mais, porque esqueceu-se de que seu produto é arte. As grandes gravadoras insistem em forçar a barra com músicos ultra produzidos e fortes campanhas de marketing para fazer o mundo inteiro gostar, ou melhor, comprar a música que eles produzem de acordo com o gosto chamado "popular" nos EUA e em alguns países da Europa, seguindo a tendência mais reacionária possível de estandartização global da cultura, achatando e desrespeitando a diversidade cultural e o gosto das pessoas pelo mundo afora. Há muitos anos, décadas, que praticamente nada interessante surge no mercado musical através das grandes gravadoras, que hoje no Brasil são quase que somente distribuidoras. Mais de 80% dos músicos brasileiros estão nas gravadoras independentes, incluindo aí a maioria dos artistas consagrados, como Chico Buarque, por exemplo.
Além de produto de baixa qualidade, hoje o mercado musical perde terreno para os celulares. Em pesquisa recente foi constatado que os jovens europeus hoje consomem cerca de 20% de seu orçamento em despesas relacionadas à telefonia móvel, o que é bastante significativo. Aqui no Brasil, por exemplo, é comum as pessoas gastarem 30 Reais - que é o preço médio de um CD nas lojas - ou mais com ligações, fora o preço do aparelho, que costuma ser substituído em menos de 2 anos. Além dos celulares, que são a onda do momento, muitas outras formas de entretenimento surgiram nos últimos anos, competindo para conseguir cada vez mais consumidores. Computadores, videogames, internet banda larga, DVDs (que podem ser shows, filmes ou outros conteúdos), e por aí vai. E nessa concorrência os nichos vão estar sempre se ajustando, mas até o momento é a música que perde mais, pois de todos os mercados citados é o mais conservador, diria até teimoso. Por mais que possa ser simples baixar uma música grátis ou comprar um CD pirata no camelô, quem gosta mesmo da música que compra prefere o produto original, com qualidade garantida.
Acredito que de acordo com os exemplos acima relacionados, podemos concluir que a pirataria não é nenhuma tragédia, e em certos casos - a maioria deles, acredito - nem pode ser considerada crime. Por exemplo, quando alguém compra uma cópia pirata de um software profissional caro, que custe uns 9000 reais, por exemplo, e vai usá-la sem finalidade profissional ou de lucro, esta pessoa não está prejudicando o fabricante porque ninguém compra um programa de 9000 reais só por curiosidade. Agora, após usar essa cópia pirata por algum tempo, é bem mais provável que ao se profissionalizar em uma área onde softwares como esse se fazem necessários que a pessoa continue usando este programa, com o qual ela já está familiarizada, do que o do concorrente. E aí sim, nesse caso, deve pagar. Afinal está tendo lucro com o uso de um programa que com certeza custou muito dinheiro e esforço para ser desenvolvido.
Mas o mais importante é que nunca nos esqueçamos da essência das coisas, do conhecimento e da arte. Devemos contribuir para o desenvolvimento da sociedade, e não ficarmos presos à questões capitalistas mesquinhas. As novas mídias estão aí para ficar e devemos aprender a tirar o máximo de proveito delas, para o bem da sociedade e - porque não - para o lucro das empresas também.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Um bate-papo? Que coincidência!

É engraçado como às vezes boas coincidências acontecem. Semana passada comecei a procurar um jeito de colocar um bate-papo em meu blog, para discutir os assuntos que são postados aqui. Aí, sem que eu estivesse procurando nada, eu entro no Meebo para usar MSN e Google Talk, e descubro que agora lá também tem salas de bate-papo, que qualquer um pode criar e participar, sem precisar criar usuários ou instalar qualquer programa. Dá até para colocar no seu site! Agora toda vez que tiver um tema legal vai rolar um bate-papo aqui no blog!

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Por que as pessoas vendem computador como se fosse cachorro quente?

É comum ver grandes lojas de departamentos anunciando o tal "computador completo"... Por que completo? Quem me diz o que eu preciso ter ou não no meu computador, a loja, o fabricante, ou as minhas necessidades?
Sim, computador é que nem cachorro quente, você pode escolher o que botar nele. Com a diferença que na barraquinha de hot dog você só pode escolher o que tem lá, mas pode comprar peças de praticamente qualquer lugar do mundo para colocar no seu PC. Pena que muita gente não saiba disso, e as grandes lojas também insistem em só vender pacotes fechados.
E comprar um computador por partes não é mais caro ou mais barato do que uma máquina "completa". Comprando dessa forma você pode tanto tirar como adicionar componentes. E ainda comparar diferentes preços e marcas para escolher a mais adequada. Claro que comprar dessa forma dá mais trabalho, e é preciso aprender um pouco sobre o funcionamento dos PCs, mas nada que obrigue ninguém a se tornar um expert. E hoje em dia todo mundo tem que entender um pouco de informática mesmo. Para dirigir um carro com carteira a gente não precisa saber um básico de mecânica? Então, é a mesma coisa.
Mas eu defendo essa forma de se adquirir um computador não só por ser mais econômica, ou eficiente. O mais importante é o princípio de liberdade e democracia por trás disso tudo. Ao escolher o que colocar no seu computador, e qual o fabricante de cada uma das partes, estamos priorizando nossas reais necessidades, e não simplesmente deixando um único grupo ou empresa decidir por nós. Pode parecer um pouco estranho ou fora de escala associar a compra de um bem com liberdade e democracia, mas é em atitudes como essa que aprendemos e cultivamos o real sentido dessas palavras em nossas vidas. O que importa é não deixar que forcem-nos a fazer alguma coisa sem saber bem do que se trata ou sem nos deixar opção. Claro, se você não quer ter trabalho e comprar um bom "computador completo" - e tem boas máquinas sendo vendidas por aí assim - vá em frente, se é o que quer é o melhor para você. Mas saiba que sempre há uma opção.